08/03/13

Depoimento - 7

A modernidade da universidade


Por Manuel Jacinto Sarmento, Professor do Instituto de Educação

Da linguística estrutural à teoria da relatividade, dos estudos feministas à epistemologia da complexidade, da sociologia urbana aos estudos pós-coloniais, muitos dos grandes contributos das universidades para o conhecimento contemporâneo nasceram fora do “mainstream”, do lugar onde repousam os consensos e as práticas instituídas. A própria mudança das universidades como instituições teve, historicamente, que ser feita a partir não dos lugares da dominação mas dos espaços instersticiais da não conformidade, do edifício de matemática da Universidade de Coimbra, aos campos (duplamente periféricos) de Nanterre e de Vincennes. Em Coimbra, designa-se por “tomada da bastilha” o fausto oitocentista, ainda hoje celebrado, da mudança histórica, a partir de uma revolta estudantil, das práticas de gestão universitária.
É por isso que convém olhar o futuro da universidade para além do que hoje se instituiu como norma dominante: a modernização está lá, porventura, onde se procuram novas práticas, outras lógicas e sentidos alternativos para a construção e transmissão de um saber implicado com a construção do bem-estar social. Lá, onde a construção da universidade é uma renovação da tradição académica e não a adoção dos processos e das práticas que constituem os critérios de referência do desempenho competitivo das empresas e dos mercados. Numa palavra, a modernidade e o progresso da Universidade não se definem pela performatividade dos desempenhos individuais, pelos rankings de Xangai, pela avaliação da qualidade em formas estandartizadas, pelos guiões de desempenho que rasuram a diferença, pelo controlo das opiniões que excluem o incómodo da crítica, pela dependência de financiamentos que ocultam a gratuitidade social do saber, pelos dispositivos de gestão tecnoburocrático que tendem a considerar os processos democráticos de decisão como um desperdício, pela hipervalorização da contabilidade dos produtos académicos que abstraem da sua efetiva pregnância científica e relevância social.
Nos últimos tempos, movimentos como por exemplo o “slow science”, ou o “champ libre aux sciences sociales”, ou ainda “citizen sciences” abalaram universidades de muitos países do mundo; é, por lá, talvez, que espreita a modernidade das universidades e das instituições científicas. É por lá, certamente que perpassa um sentido verdadeiramente humano, verdadeiramente comunitário e verdadeiramente social do trabalho académico e da vida nas universidades. Estas são lugares de trabalho, de debate e de crítica. Os “campi” são lugares onde se realizam concertos, onde o debate da atualidade é permanentemente procurado, onde os rituais se tornam residuais ante o ambiente convivial. O ensino é esse lugar onde o aprendiz toma, freirianamente, o lugar do mestre, pelo incentivo à autonomia criadora e ao rigor da exposição coletiva. A investigação é esse espaço do tempo certo para o pensamento, a leitura, a aprendizagem e a descoberta. A administração é o lugar da escolha entre opções distintas e projetos submetidos ao escrutínio coletivo. A vida em comum é o espaço de encontros e desencontros moldados pelo sentido da responsabilidade pública e do respeito das diferenças. Esse lugar, esse topos (ou esse u-topus?) é o da universidade cidadã.

Depoimento - 6

Simetria e(m) democracia


     Por Lisa Santos, Professora da Escola de Ciências

Somos todos professores, todos nós avaliamos. A nossa “matéria prima”, os alunos, não nos chega em bruto. Foi trabalhada pelos pais, professores anteriores, amigos. Mas, quantos de nós sentimos que, num relance, os conseguimos classificar num certo tipo de pessoa, “tomar-lhes o pulso”? Tal como em relação aos meus alunos, nada sei sobre a génese de cada lista, sobre as discussões acesas que conduziram aos seus princípios orientadores e vou até fingir que não os li. Mas a sua constituição permite-me inferir sobre as pessoas que a ela pertencem. Como em alguns livros policiais antigos, deixo aqui o “desafio ao leitor”, fornecendo-lhe os dados que recolhi:
(Clicar nos quadros para ampliar e voltar a clicar para regressar ao blog) 
Tirem as vossas conclusões antes de eu vos apresentar a minha.
Fui contratada pela Universidade do Minho em 1984. No Departamento de Matemática éramos 18, só 3 com o doutoramento. Hoje somos 60, todos doutorados. Com o tempo, tornou-se inviável continuar com o modelo de gestão inicial, em que as decisões eram tomadas por todos os doutores. Percebi, nessa altura, observando, como é difícil o exercício da democracia, como é difícil para as pessoas delegarem poderes que já foram seus.
O RJIES trouxe-nos, em 2007, o atual modelo de gestão das universidades. Neste modelo deixaram de existir órgãos plenários. Temos agora de exercer, certamente de uma forma mais responsável, o direito e o dever de escolher quem nos governa. Mas quem nos governa tem de nos representar. Representação também significa equilíbrio: Escolas diferentes têm realidades e necessidades diferentes; diferentes categorias de docentes têm também realidades e necessidades diferentes, os mais novos na categoria com mais anseios, os mais antigos com mais responsabilidades.
Sou matemática, de coração e de profissão. É comum ouvir dizer que os matemáticos só pensam em números. Esta afirmação básica é falsa, os matemáticos procuram padrões.
Ao tentar avaliar a constituição das 3 listas candidatas ao Conselho Geral, agrupei a informação. Ficou claro para mim que a lista A (que já tinha subscrito, por razões que nada têm a ver com estas observações a posteriori) é a que melhor distribui os candidatos pelas Escolas e pelas categorias.
Dir-me-ão que não entrarão candidatos de todas as Escolas e de todas as categorias por nenhuma das listas. Claro que não! Mas os princípios assumidos na constituição de cada lista permitem-me inferir, tal como o faço no primeiro contacto com os meus alunos, sobre as pessoas que constituem essa lista.

07/03/13

Depoimentos - 5

Lista A: "Uma força crítica mas dialogante na luta por uma universidade plural e dinâmica"

     Por Carlos Gomes, Professor do Instituto de Educação

Não obstante considerar que certas teses do movimento universidade cidadã precisam de ser mais discutidas e evidenciadas empiricamente – por exemplo, o big brother tecnológico ou a deriva para a submissão pragmática a poderes e interesses privados - apoio a Lista A, sobretudo pela satisfação que me dá ver um movimento que apesar de me parecer em determinados momentos discursivos algo inflexível nas suas posições ideológicas e propostas políticas, se caracteriza, contudo, por uma admirável atitude académica e cívica de profunda disponibilidade para o debate, a sério, de questões efectivamente sérias. Há, portanto, um estilo académico, uma atitude, um empenhamento, um inconformismo de “rebeldes com causa” com que me identifico.
Apoio a Lista A por reconhecer relevância e credibilidade à luta do movimento universidade cidadã contra determinadas tendências e dinâmicas que, no limite, e sem oposição consequente - podem pôr em causa uma certa concepção de universidade – humanista, livre-pensadora, solidária, irreverente face aos poderes – uma certa concepção da pedagogia universitária e do professor universitário, como académico - uma certa concepção da governação da universidade.
Uma das coisas que mais me impressiona e agrada no movimento é o facto de as suas propostas radicarem numa representação, numa ideia (teórica e ideologicamente distintiva, logo não consensual) de universidade.
É essa ancoragem que torna impossível ao movimento aceitar, sem mais, a redução da universidade a outra coisa qualquer, a uma empresa, a uma fábrica, a um centro de produção ou venda de qualquer coisa. Há um legado histórico, valores, tradições, e modos de articulação com a sociedade (particularmente nas sociedades abertas e democráticas) que não podem ser simplesmente postos de lado em nome da produtividade, da rentabilidade, ou da garantia de financiamento a todo o custo. É este enquadramento (que implica também a capacidade de assumir a crítica em relação a muitos aspectos da ‘universidade tradicional’) que dá sentido às grandes preocupações e temas do movimento, que confluem na proposta de construção de:
  • uma universidade sintonizada com valores, regras e procedimentos democráticos; 
  • uma universidade com governação fortemente participada; 
  • uma universidade pública na qual as políticas de desenvolvimento sejam confrontadas com as exigências de consideração do interesse público; 
  • uma universidade que recusa a burocratização da pedagogia; 
  • uma universidade que recusa a imposição autoritária e/ou tecnocrática de políticas e objectivos. 
Finalmente, um factor decisivo no meu apoio: numa recente reunião dedicada à apresentação da Lista fiquei a saber que na leitura dos representantes do movimento no Conselho Geral o movimento soube, ao longo da presente “legislatura” assumir a crítica, a dissensão, mas também o diálogo, a cooperação, a negociação com outras forças igualmente democráticas, e, à sua maneira, igualmente interessadas em construir o sucesso da sua concepção de universidade. A disponibilidade da Lista A para se assumir como uma força crítica mas dialogante na luta por uma universidade plural e dinâmica é para mim fundamental.

06/03/13

Lista A apresenta à Academia
os 25 compromissos da Universidade Cidadã


25 COMPROMISSOS DA LISTA A – UNIVERSIDADE CIDADÃ

Defender a Liberdade e a Autonomia Académicas em Tempos de Crise

Os eleitos pela Lista A – Universidade Cidadã, uma vez no Conselho Geral, atuarão de acordo com os seguintes princípios e assumirão os seguintes compromissos:

  1. Fidelidade à carta de valores de uma Universidade Cidadã, que o Movimento vem apresentando publicamente e concretizando nos últimos anos.
  2. Defesa do caráter público da Universidade e da sua gestão democrática, favorecendo práticas de colegialidade, contra a concentração excessiva de poderes.
  3. Recusa do estatuto de fundação pública de direito privado, ou outro de contornos semelhantes, nas circunstâncias atualmente conhecidas.
  4. Desenvolvimento das práticas de participação e de publicidade democrática relativas aos atos de governo e de gestão.
  5. Respeito ativo pela diversidade dos saberes, áreas de conhecimento e subculturas académicas, contrariando tendências para a estandardização e a homogeneização, que tantas vezes desqualificam ou menorizam o outro.
  6. Defesa do património da Universidade, abrindo-o ao espaço e à fruição públicos, sem barreiras desnecessárias e à margem de critérios mercantis.
  7. Acesso à informação através de adequados meios de circulação, vertical e horizontal, garantindo a indispensável comunicação na Academia.
  8. Criação de um ambiente educativo de cidadania ativa e crítica e de aprofundamento dos direitos humanos, contra todas as formas de discriminação, incluindo campi livres de praxes.
  9. Abertura à crítica, sensibilidade e atenção aos problemas da vida universitária, atribuindo-lhes estatuto e dignidade política para serem apreciados no Conselho Geral, sempre que tal se justifique.
  10. Defesa intransigente do prestígio e do superior interesse da Universidade, reforçando a sua natureza de bem público ao serviço de uma Sociedade mais democrática, desenvolvida, sustentável e solidária.
  11. Atitude simultaneamente cooperativa, crítica e leal para com todos os órgãos de governo e de gestão, com destaque para o Reitor.
  12. Defesa do prestígio, do carácter colegial e da natureza fiscalizadora do Conselho Geral.
  13. Proposta de realização de reuniões de trabalho entre o Conselho Geral e os Responsáveis das Unidades Orgânicas de Ensino e de Investigação.
  14. Proposta de auscultação prévia e de solicitação de pareceres aos diversos órgãos e unidades nas matérias mais relevantes em debate e processo de decisão.
  15. Postura dialogante e de procura ativa de consensos ou compromissos em questões estratégicas para o desenvolvimento da Universidade, porém à margem de coligações permanentes ou de alianças informais sistemáticas.
  16. Rigor e exigência para com os atos de gestão administrativa e financeira e respetiva prestação pública de contas.
  17. Procura da excelência académica no ensino e na investigação, entendidas como dimensões não separáveis, mas antes complementares, e à luz de um conceito de qualidade social e educativa para todos.
  18. Abertura à sociedade e interação com a comunidade, em termos de reciprocidade e de responsabilidade social e ético-política.
  19. Valorização social, cultural e económica do conhecimento produzido, de acordo com o interesse público.
  20. Recusa do patrocínio, apoio ou tomada de posição pública a favor de qualquer candidatura a Reitor, avaliando cada candidatura em função do ideário próprio de uma Universidade Cidadã.
  21. Seleção de membros externos em função de um perfil diversificado de personalidades (em termos de pertenças profissionais, geracionais e de género), cuja presença e participação efetiva no Conselho Geral prestigie a Universidade e constitua um elemento de enriquecimento da experiência da Academia.
  22. Cumprimento dos mandatos com independência, responsabilidade e solidariedade institucional.
  23. Reforço da autonomia das Unidades Orgânicas de Ensino e de Investigação;
  24. Promoção de uma real liberdade e autonomia académicas, nos planos científico, pedagógico e cultural, para docentes e investigadores/as, capaz de potenciar a concretização dos seus direitos.
  25. Adequação do rigor e da seriedade dos processos de avaliação, com uma análise holística do trabalho de cada docente, garantia da qualidade, de gestão científica e pedagógica, de prestação de contas, de cumprimento dos deveres, subordinados a valores que promovam a humanização do trabalho, a melhoria e a formação permanente e que recusem o produtivismo, o burocratismo e a alienação.

Depoimentos - 4

Para um sentido completo de Universidade

Por Emília Araújo, Professora do Instituto de Ciências Sociais 

O conhecimento é sempre muito mais do que o que se corporiza em objectos e produtos tangíveis. Expande-se sobre os processos, a qualidade das relações, os modos de estar e de pensar, de aprender e de formar, assim como como sobre a sustentabilidade das políticas. É, por isso, fundamental assumir que o sentido completo de universidade reside na forma como o conhecimento é, na sua globalidade, objecto de gestão, análise e transferência multidisciplinar, tanto dentro da universidade, como na relação desta com o meio envolvente e com outras universidades e organizações, no espaço internacional.
Dois dos problemas identificados sobre a Ciência em Portugal, relacionados com o seu potencial de impacto no meio envolvente e com o seu grau de internacionalização prendem-se com a dispersão de esforços, interesses e estratégias e com a debilidade de alinhamento das potencialidades das áreas científicas na construção de objectivos adaptados a ambas as respostas que, apesar de tudo, não coincidem perfeitamente entre si: uma coisa é a interacção com a comunidade envolvente; outra é o lugar da universidade no mercado científico e tecnológico internacional, reflectido, entre outras, na capacidade de atração de públicos de outros países, assim como de investimento, em geral.
É neste sentido – o da concentração de esforços, sem descaracterização do potencial das diferentes áreas científicas – que os modos de gestão organizacional do conhecimento nos tempos que correm implicam sinergias a vários níveis entre escolas e áreas científicas que não se compadecem com idiossincrasias e voluntarismos individuais, mas residem em estratégias políticas de inter e multidisciplinariedade consistentes com os desígnios e objectivos que se pretendem atingir.
Através da inter e na multidisciplinaridade é obviamente mais provável que as respostas aos problemas das sociedades no presente e no futuro sejam mais consistentes, ajustadas e satisfatórias. É obviamente mais provável que se possam gerar outras condições de sustentabilidade da universidade e das suas relações com os seus diversos “meios envolventes”. Para que isso aconteça, todo o conhecimento – na sua produção, disseminação e transferência - precisa de ser considerado o motivo central de qualquer ação, tática e/ou estratégia.
Adoptando-se uma visão integrada e verdadeiramente multidisciplinar, a universidade surgirá mais preparada para evitar, tanto o empobrecimento científico e pedagógico de todos os seus projetos, como desigualdades internas cientificamente não articuláveis com o desígnio da construção de uma universidade legitimada (e no) meio que a insere.

05/03/13

Depoimentos - 3

Tomar o caminho da margem

     Por Manuel Gama, Professor do Instituto de Letras e Ciências Humanas 

1. Perante o caudal do rio, escolher ir pela UNIVERSIDADE CIDADÃ (UC) é tomar o caminho da margem. Mas as margens também fazem parte do sistema fluvial. Sabendo que não se pode parar o fluir da corrente, procuraremos com clarividência destrinçar a limpidez das águas do entulho transportado. E, no mesmo sentido, que igualmente todos o façam, sem medo. A UC não pretende ser dique, mas não abdica de uma visão límpida, crítica e desinteressada da causa universitária. 

2. A UC será cidadã e árbitro isento no Conselho Geral, desligada de qualquer afeição ao poder. As ideias e as práticas estarão acima de quaisquer interesses pessoais ou de grupo.

04/03/13

Convite à participação nos debates entre listas
- Dia 5, às 15h00, em Azurém (B1.12)
- Dia 7, às 15h00, em Gualtar (A1)

A semana que agora começa proporciona o sempre necessário e interessante debate entre as listas candidatas. No que aos professores/as e investigadores/as diz respeito, o pontapé de saída é dado já amanhã, dia 5, em Guimarães, no Campus de Azurém, entre as 15h00 e as 18h00 (Auditório B1.12).
No dia 7, quinta-feira, o mesmo formato de debate ocorrerá no Campus de Gualtar, no mesmo horário (Auditório A1).
Nos dois casos, o moderador volta a ser o Professor Sousa Miranda, que já desempenhou esse papel de forma satisfatória, na anterior eleição para o Conselho Geral.
A Lista A - Universidade Cidadã apela à participação de todos os docentes e todos os interessados nestes momentos especiais do período eleitoral, desejando, ao mesmo tempo, que seja um debate esclarecedor daquilo que distingue e aproxima cada uma das listas concorrentes. Para que tal aconteça torna-se importante não apenas a presença mas também a intervenção do maior número nesse verdadeiro ato de cidadania.

Depoimentos - 2
A Universidade como espaço de excelência para o exercício activo da cidadania

     Por Isabel Estrada, Professora da Escola de Economia e Gestão

Ao iniciar a reflexão sobre cidadania com os meus alunos no âmbito de uma unidade curricular do segundo semestre, convidei-os a imaginar que decantavam o conceito como se de um vinho se tratasse. A intenção era que, das primeiras definições em que não faltariam (como não faltaram) referências a deveres, direitos, vínculos, e pertenças, fossem capazes de chegar por si mesmos não a um depósito de tempo e de impurezas, mas a uma espécie de essência da coisa.
No fim da breve metáfora, concluíram que cidadania é, antes de mais, relação. Relação de enorme complexidade que encontra todavia no indivíduo a unidade primeira e última da sua construção. Na leitura dos meus alunos, é entre relação e indivíduo que se encontra a essência decantada da cidadania.
Concordo com eles e acrescento que é essa também a essência de uma universidade. Uma universidade, para o ser, tem de se assumir no seu quotidiano como espaço-tempo de relações, de partilhas, de intersubjectividades, de confrontos e de consensos que se geram no exercício do debate aberto e plural.
O contrário é e será sempre a sua negação. Uma universidade é pois, antes de tudo mais, espaço de excelência para o exercício activo da cidadania. À luz deste entendimento, assisto por isso com muita satisfação ao debate gerado a pretexto das eleições para o Conselho Geral da Universidade do Minho, em torno de múltiplas ideias e projectos de qualidade.
Ao subscrever a Lista A não o faço pois por ausência de bons projectos e de boas ideias, nem tão pouco por oposição a nada nem a ninguém. Faço-o outrossim, por acreditar que desta forma contribuo para o sublinhar público da importância de uma premissa em particular. Uma premissa que de tão tácita à praxis universitária, enfrenta todavia e ironicamente o risco de ser obliterada senão insistentemente explicitada: a universidade é feita por e deve ser feita para as pessoas. Não obstante a simplicidade da ideia, o que predomina é, não raras vezes, a inversão desta ordem. Assim se compreende, por exemplo, que o indivíduo em contexto académico viva na tensão permanente de edificar a sua identidade profissional e epistémica por obediência a critérios-dogmas na produção do seu conhecimento científico e pedagógico. No afã de uma criação conformada a rankings e a métricas várias, parece não ver que os critérios-dogmas a que se obriga e a que é obrigado, escoram o que no fundo mais não são do que linguagens de demonstração de poder sujeitas à fatal contingência das geoculturas que as sustentam.
Todas as vozes que activamente buscam a reabilitação da premissa que aqui enuncio nos termos e na forma mais simples que me ocorrem, são e serão por isso cada vez mais necessárias ao esforço de relembrança sobre o que é a essência identitária das universidades.

28/02/13

Depoimentos-1
Quando o trabalhador é que paga

     Por José Brilha, Professor da Escola de Ciências

Mário Silva está radiante! Depois de muitos meses reduzidos ao magro subsídio de desemprego, Mário vai finalmente poder oferecer à sua família um pouco mais de conforto: conseguiu um emprego na fábrica de sapatos que fica bem perto de sua casa.
O anúncio de emprego pedia uma pessoa para conduzir o camião da empresa e distribuir as encomendas por todo o país. Assim, no seu primeiro dia de trabalho, Mário Silva estava pronto para se sentar ao volante do camião. Porém, este dia reservou-lhe algumas surpresas.
O seu novo encarregado comunicou-lhe que, apesar de ter sido contratado para conduzir o camião, Mário Silva também teria de trabalhar na linha de montagem de produção de sapatos. Mário, claro que aceitou mais esta tarefa, uma vez que estava desejoso para voltar a trabalhar.
No entanto, Mário nunca imaginou que fosse possível ouvir o que o seu encarregado lhe disse a seguir. Para trabalhar na linha de montagem, Mário teria primeiro de adquirir as máquinas para fazer os sapatos!! O dono da empresa não tinha qualquer hipótese de comprar os equipamentos para a sua fábrica e, portanto, se os trabalhadores quisessem lá trabalhar, teriam de ser eles a encontrar recursos financeiros para colocar as máquinas na fábrica. Mário ficou também a saber que o seu salário seria indexado ao número de sapatos que ele produziria com a máquina que teria de comprar, apesar de ter sido contratado para conduzir o camião, tarefa que ele também teria de assegurar.
A situação vivida por Mário é fictícia, não há (ainda!) nenhuma fábrica que contrate funcionários para desempenhar um dado trabalho e que, simultaneamente, obrigue esses mesmos funcionários a colocar dinheiro na empresa para que esta possa ter os equipamentos necessários à produção!
Mas não é isto que se passa actualmente nas nossas universidades? A carreira docente obriga, entre outras tarefas, a leccionar e a investigar. Aliás, a contratação de docentes apenas pode ser justificada pela necessidade de assegurar a actividade docente e não pela importância ou capacidade em desenvolver investigação científica. Mas, por incrível que possa parecer, tal como no caso do Mário Silva, as universidades não disponibilizam nenhum apoio para que a investigação possa ser desenvolvida, obrigando os docentes a terem de encontrar os recursos financeiros indispensáveis para investigar, comprar os equipamentos, pagar análises, contratar bolseiros e funcionários administrativos, etc. A situação é ainda mais ridícula quando, na maior parte dos casos, a avaliação das universidades e das carreiras académicas dos docentes se baseiam, em larga medida, nos resultados obtidos e publicados pela investigação paga com os meios que o próprio docente conseguiu obter! Infelizmente, ao contrário do que se passou com o Mário Silva, a situação nas nossas universidades não é fictícia...

27/02/13

118 Professores manifestam apoio à Lista A

Membros do Movimento Universidade Cidadã que apoiam publicamente a Candidatura da Lista A

  • Alberto Dias (EC)
  • Alberto Sá (ICS)
  • Alexandra Nobre (EC)
  • Ana Maria Ribeiro (ILCH)
  • Ana Paula Macedo (ESE)
  • Ana Paula Martins (IE)
  • Ana Soares (EP)
  • Ana Veloso (EP)
  • Anabela Carvalho (ICS)
  • Anabela Silva (EEG)
  • Antónia Forjaz (EC)
  • António Almeida (EC)
  • António Joaquim Costa (ICS)
  • António Maurício Fonseca (EC)
  • Artur Manso (IE)
  • Bárbara Figueiredo (EP)
  • Cacilda Moura (EC)
  • Carla Freire (EC)
  • Carlos Alberto Gomes (IE)
  • Carlos Veiga (ICS)
  • Céu Taveira (EP)
  • Cristina Aguiar (EC)
  • Cristina Wilson (EC)
  • Custódia Rocha (IE)
  • Custódia Martins (IE)
  • Delfim Soares (EENG)
  • Delfina Rocha Gomes (EEG)
  • Diamantino Ínsua Pereira (EC)
  • Emília Araújo (ICS)
  • Esmeraldina Veloso (IE)
  • Eugénio Silva (IE)
  • Fátima Antunes (IE)
  • Fernando Augusto Miranda (EC)
  • Fernando Guimarães (IE)
  • Fernando Ilídio (IE)
  • Fernando Mário Martins (EENG)
  • Guilherme Silva (IE)
  • Helena Pires (ICS)
  • Helena Vieira (IE)
  • Íris Pereira (IE)
  • Isabel Barca (IE)
  • Isabel Correia Neves (EC)
  • Isabel Estrada (EEG)
  • Isabel Mateus (ILCH)
  • Isabel Pinto Mina (EC)
  • Jean Rabot (ICS)
  • João Mendes (ILCH)
  • Joaquim Fidalgo (ICS)
  • Joel Felizes (ICS)
  • Jorge Neves (EENG)
  • Jorge Pamplona (EC)
  • José António Fernandes (IE)
  • José António Moreno Afonso (IE)
  • José Carlos Morgado (IE)
  • José Carlos Pinho (EEG)
  • José Crispim (EEG)
  • José Palhares (IE)
  • Judite Zamith Cruz (IE)
  • Júlia Tovar (EC)
  • Leonor Torres (IE)
  • Lino Costa (EENG)
  • Lisa Maria de Freitas Santos (EC)
  • Luís António Cunha (EC)
  • Luís António Santos (ICS)
  • Luís Barreiros Martins (EENG)
  • Luísa Saavedra (EP)
  • Manuel António Silva (IE)
  • Manuel Carlos Silva (ICS)
  • Manuela Neves (EENG)
  • Maria Duarte Ramos (EC)
  • Maria Emília Vilarinho (IE)
  • Maria Fernanda Martins (IE)
  • Maria João Gomes (IE)
  • Maria João Queiroz (EC)
  • Maria José Casa Nova (IE)
  • Maria Judite Almeida (EC
  • Maria Madalena Oliveira (ICS)
  • Maria Manuela Neves (EENG)
  • Maria Manuela Raposo (EC)
  • Maria Rosário Côto (ESE)
  • Marta Ramos (EC)
  • Miguel Bandeira (ICS)
  • Miguel Gonçalves (EP)
  • Natália Fernandes (IE)
  • Nelson Zagalo (ICS)
  • Olga Coutinho (EC)
  • Óscar Gonçalves (EP)
  • Palmira Alves (IE)
  • Paula Veiga (EEG)
  • Paulo Machado (EP)
  • Pedro Manuel Palhares (IE)
  • Pedro Martins (ILCH)
  • Pedro Miguel Santos (EC)
  • Pedro Simões (EC)
  • Pier Parpot (EC)
  • Rita Ribeiro (ICS)
  • Rosa Cabecinhas (ICS)
  • Rui Abrunhosa (EP)
  • Rui Gomes (EP)
  • Rui Oliveira (EC)
  • Rui Tavares (EC)
  • Sandra Franco (EC)
  • Sandra Marinho (ICS)
  • Sara Pereira (ICS)
  • Sara Raquel Silva (IE)
  • Silvana Mota-Ribeiro (ICS)
  • Sílvia Araújo (ILCH)
  • Sónia Gonçalves (EP)
  • Tânia Montenegro (EEG)
  • Teresa Lino Neto (EC)
  • Teresa Maria Viseu (EC)
  • Teresa Ruão (ICS)
  • Teresa Sarmento (IE)
  • Teresa Valente (EC)
  • Virgínia Barroso Henriques (ESE)
  • Virgínia Soares Pereira (ILCH)
  • Virgínio Sá (IE)
  • Zara Pinto Coelho (ICS)